terça-feira, 31 de maio de 2011

Opções para "envenenar" o carro

      

Receitas mais procuradas são a preparação aspirada, instalação de turbo e reprogramação do chip da injeção. A potência pode dobrar. Custos variam entre R$ 200 e R$ 8 mil.
Quem nunca sonhou em transformar o carro - mesmo que ele seja um popular 1.0 - num verdadeiro "bólido"? O que muitos motoristas não sabem é que existem várias alternativas para se aumentar a potência de um automóvel.
          Na realidade, a receita a ser utilizada irá depender do resultado desejado e do bolso de cada um. Entre os métodos mais utilizados estão a preparação aspirada, a instalação de turbo e a reprogramação do chip do módulo de gerenciamento da injeção eletrônica.

          No caso da preparação aspirada, explica Fabio Ditzel, proprietário da Auto Mecânica Ditzel, o objetivo é aumentar a capacidade de admissão de mistura ar / combustível no motor aspirado, através do aumento da área de passagem ou do tempo de admissão do ar a ser utilizado na queima de combustível. Esse tipo de serviço é feito, principalmente, em veículos carburados (mais antigos) e compreende a substituição e ajuste de vários componentes do motor.
          Se a pessoa não estiver disposta a desembolsar muito, no máximo R$ 800, a opção será fazer uma preparação aspirada "leve", que irá compreender basicamente o rebaixamento do cabeçote (que diminui o volume da taxa de combustão e aumenta a taxa de compressão) e a troca do comando de válvulas - alterações que podem elevar a potência de um carro em até 30%.
          Por outro lado, uma preparação aspirada mais pesada pode chegar a custar mais de R$ 8 mil. Isto porque este tipo de "mexida" compreende a instalação de carburadores maiores, aumento dos dutos de cabeçote, colocação de filtros de ar de maior vazão e substituição do comando de válvulas por um de perfil mais agressivo, além da redução do peso da biela e virabrequim (através de usinagem) ou a troca das peças originais fundidas por forjadas (mais resistentes). Com essa mudanças, a potência de um Opala 4.1 pode ser aumentada de 170 cv para 400 cv.
     Mas não existem só vantagens numa preparação aspirada. Dependendo dos componentes adotados, pode ocorrer perda de torque em baixa rotação, e nos casos mais extremos a marcha-lenta será prejudicada. Por isso, a escolha dos componentes deve ser feita com critério para não afetar a dirigibilidade no trânsito. Outro efeito colateral da preparação aspirada é que o consumo do carro irá aumentar em até 20%. Um serviço de preparação aspirada leva de dois dias (leve) a duas semanas (pesado) para ser concluído.
Turbo.
         Outra forma de se "envenenar" um veículo é a instalação de turbo. Esse sistema se baseia num eixo com dois rotores. Um deles (a turbina, ou parte quente) é impulsionado pelos gases de escapamento, fazendo girar o outro rotor (o compressor, ou parte fria), que admite o ar externo e o força para dentro dos cilindros do propulsor do carro. Resultado: o motor ganha condições de produzir ainda mais potência e torque, com a vantagem de serem obtidos em regimes próximos aos do propulsor original.
        E o aumento de potência realmente pode ser grande, dependendo das dimensões da turbina e se a instalação do equipamento for aliada a uma preparação do motor. Num Golf 1.8 (antigo), por exemplo, a potência gerada poderia saltar dos originais 98 cv para 200 cv. Já no caso dos veículos 1.0, o incremento de potência é menor, em média 20%.
           Um ponto negativo da instalação de turbo é o desgaste precoce do propulsor. O motivo, observa Jaime Nunez, proprietário da Chil Car, oficina especializada em preparações, é que as peças originais de um propulsor aspirado são projetadas para um determinado desempenho. Com a instalação do turbo, esses componentes acabam sendo muito mais exigidos, o que aumenta o desgaste e reduz a vida útil das peças. Além disso, o consumo do carro terá um aumento de até 30%.
         Quanto ao custo de instalação do turbo, ele varia entre R$ 600 (um kit usado) e R$ 3 mil (um sistema novo), mas a recomendação dos proprietários de oficinas é que os motoristas sempre optem por kits de turbo novos. A instalação do sistema leva, no máximo, dois dias.
Chip.
       Outro serviço muito utilizado por pessoas que desejam envenenar um veículo é a reprogramação do chip do módulo de gerenciamento da injeção eletrônica. Através de um computador, dotado de um programa capaz de modificar instruções armazenadas no chip, é possível adiantar o ponto de ignição e injetar mais gasolina na câmara de combustão em determinadas faixas de rotação. Com isso, um carro 1.0 pode ter sua potência aumentada em até 10% e a de um modelo turbo elevada em até 50%.
       De acordo com Alberto Gonzalez, proprietário da Tecnicar, oficina especializada na reprogramação de chips, o custo deste tipo de serviço varia de acordo com o tipo de módulo de injeção e o modelo de carro. Uma reprogramação num carro 1.0 custa, em média, R$ 200. Já num Golf, Audi A3 e modelos importados a despesa pode variar entre R$ 350 e R$ 1,2 mil. O serviço leva em média meio dia. Como nas demais alterações no motor, a reprogramação do chip também traz efeitos colaterais: aumento de consumo (de até 30%) e elevação do índice de emissão de poluentes.
Nitro
Uma nova receita para se envenenar automóveis vem conquistando muitos adeptos em todo o Brasil. A febre é o Nitro, um sistema que funciona com um cilindro recarregável que injeta uma substância (óxido nitroso) na câmara de combustão do veículo. Com isso, o carro ganha subitamente, por alguns segundos, até 120 cavalos a mais de potência e o motorista tem a sensação de estar num "foguete": leva um coice e fica grudado no banco.
          Seu uso, no entanto, é recomendado apenas em pistas de corrida, devido aos problemas que esse tipo de sistema poderia causar no trânsito urbano. Outro aspecto sedutor do Nitro é a forma de acionamento. O sistema entra em funcionamento através de uma chave, localizada no painel ou junto ao câmbio, semelhante a utilizada nos caças para a liberação de míssil.
         Quanto ao custo de instalação, ele varia entre R$ 1,8 mil (com um bico de injeção) e R$ 2,2 mil (com quatro bicos de injeção). Um cilindro de Nitro permite entre 40 e 45 injetadas de óxido nitroso. A recarga desse componente sai por R$ 165,00.
Segundo Caio Cartaxo, vendedor da Race Force, loja especializada na venda de kits e componentes para preparação de automóveis, a instalação do cilindro é feita no porta-malas ou atrás do banco do motorista. Ele garante que o óxido nitroso não é inflamável. Ou seja, não existe a possibilidade do cilindro explodir no interior do veículo.   

Revisões e documentação
           Quem pretende incrementar ainda mais a potência do carro, não pode esquecer de que não é apenas o motor que precisa receber atenção. O veículo precisa passar por uma revisão completa, incluindo o sistema de direção, freios, suspensão e refrigeração, pois com as alterações do propulsor o carro terá um outro comportamento dinâmico. Também é interessante que os motoristas façam as trocas de óleo e filtros nos prazos recomendados pelos fabricantes.


           Além disso, vale a pena sempre conferir se o nível de água do radiador está completo, já que os componentes do propulsor serão muito mais exigidos. Um outro cuidado importante que os motoristas devem ter é em averiguar se a mudança realizada no carro não precisa de regularização junto ao Detran.
        Instalação de turbo e mudanças radicais no motor, por exemplo, exigem autorização prévia do órgão de trânsito, que depois irá emitir (após uma inspeção) um novo Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). Dirigir um carro fora das especificações descritas no CRLV pode dar multa de R$ 127,69 e perda cinco pontos no prontuário, pois é uma infração grave de trânsito.

fonte; http://www.motoronline.com.br/fichatec/veneno.htm

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